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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

364.


"Mas quando passou o segundo momento, quando viu dissipar-se toda dúvida, desaparecer toda preocupação, ela comparou a sua situação com o que fora até pouquíssimo tempo atrás, viu-o honrosamente liberto de seu antigo compromisso, viu-o aproveitar-se imediatamente da liberdade conquistada para dirigir-se a  ela e declarar-lhe um afeto tão terno, tão constante como sempre ela acreditara que fosse, ela se sentiu oprimida e vencida por sua própria felicidade, e como felizmente a mente humana está sempre disposta a se familiarizar com facilidade a qualquer mudança para melhor, foram necessárias várias horas para acalmar os ânimos ou dar alguma tranquilidade ao seu coração.
...
ou para dizer metade do que tinha para dizer sobre o passado, o presente e o futuro; se bem que pouquíssimas horas passadas no duro trabalho de falar sem parar possam esgotar mais assuntos do que os que podem realmente existir em comum entre duas criaturas racionais quaisquer, com os namorados a coisa é diferente. Entre eles, nenhum assunto se esgota, nem nada se dá por comunicado, até que tenha sido repetido pelo menos vinte vezes."

Sense and sensibility -  Jane Austen

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Eclipse - Stephenie Meyer.



" - O namoro de vocês está mais sério do que eu pensava - continuou ela.
...
 - Tem algo... estranho no modo como vocês dois se comportam juntos - murmurou ela, a testa se vincando sobre os olhos aflitos. - O modo como ele olha para você... É tão protetor. Como se estivesse a ponto de se atirar na frente de uma bala para salvá-la ou algo assim.
Eu ri, embora não conseguisse olhar nos olhos dela.
 - Isso é ruim?
 - Não. - Ela franziu a testa enquanto lutava com as palavras. - Só é diferente. Ele é muito intenso com relação a você... e muito cuidadoso. Tenho a impressão de que não compreendi exatamente a relação de vocês. Como se houvesse um segredo que eu não conhecesse...
...
 - Não é só ele. - Ela endureceu os lábios, na defensiva. - Queria que você pudesse ver como se movimenta perto dele.
 - Como assim?
 - O modo como se mexe... Você se orienta em torno dele sem nem mesmo pensar. Quando ele se move, mesmo um pouquinho, você imediatamente muda de posição. Como ímãs... ou a gravidade. Você parece um... satélite ou algo parecido. Nunca vi nada assim."

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Depois da curva.


"Amanhã talvez
Esse vendaval faça algum sentido
Dá pra se dizer
Qualquer coisa sobre todo mundo
Por hoje é só
Vou deixar passar a ventania
Talvez amanhã
Vento, vela e velocidade
Mar azul, céu azul sem nuvens
Logo ali depois da curva
Ali, logo ali,
Ali depois da curva
Amanhã talvez
Esse temporal saia do caminho
Dá pra escrever
O papel aceita toda qualquer coisa
Por hoje é só
Vou deixar passar a tempestade
Talvez amanhã
Água pura e toda verdade
Mar azul, céu azul sem nuvens
Logo ali depois da curva
Ali, logo ali,
Ali depois da curva
Ali, logo ali,
Ali depois da curva
Ali, logo ali
Eu vi, eu vim, venci a curva."
Pouca Vogal.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

I Co. 13

O amor tudo sofre e não é egoísta.
O amor é paciente e calmo.
O amor vive junto as tempestades. O amor ouve, acalma e afaga.
O amor não olha apenas para si.
Por vezes, na verdade, ele olha apenas para o outro.

O amor espera. Espera longe, espera perto.
O amor ensina a esperar.

O amor dá refúgio e refrigério.
O amor é o dom supremo de Deus e jamais acaba.

O amor é o que aprendo em ti, graças a Ele todos os dias.
O amor é o que Ele nos permite viver.

Amor é um caminho que fomos escolhidos para trilhar juntos.

Eu amo você!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Não responda nunca, meu amor.

"Que coincidência é o amor,
A nossa música nunca mais tocou..."

Só eu sabia como depositar em tua orelha fria exatamente aquilo que você queria ouvir, aquilo que falava de nós quando não o era na verdade. Meu companheiro, meu riso e choro. A dor e a agonia. O amor.. e mais tarde o descaso.

Espero não ouvir, não saber, que você arrumou outro beija-flor. Eu o serei para sempre, e por isso mesmo tudo deve ficar assim, sem proximidade, sem tentativas inúteis de uma cordialidade impossível. Não sou tranquila a ponto de cruzar contigo na rua e você com seu novo amor. Você sabe que sou maluca.

Você sabe que te amarei para sempre.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Poeira pela casa.

"Tente entender, eu quero abrigo e não consigo ser mais direto."


Os móveis estavam cobertos por lençóis brancos, mas um deles abrigava um coração carente, um corpo frio e trêmulo, de mãos suadas e olhar aflito.

Não conseguia ainda acreditar que teria de entregar aquela casa. Não aceitava ter que abrir mão dos sonhos que ela sonhou no tempo que estiveram juntos. Não entendia o porque deste final trágico.

Olhar pela janela imaginando outras vidas que lhe eram possíveis em sua mente anestesiava a sensação de desolação e desespero. Sonhar lhe fazia bem.

Mas por vezes, em alguns momentos os sonhos passavam e ela se via refletida no vidro, com olhos inchados e vermelhos, pálida, sem vida. Nestes instantes tudo o que ela conseguia querer eram aqueles braços que lhe serviam de abrigo de novo. queria esquecer o passado e o futuro. Queria respirar aliviada no calor dos braços dele.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ecos da alma.

O sol iluminando o dia, numa manhã clara. O vento acariciando a pele, o cheiro de verão e as flores da primavera enchendo os outros sentidos.. mas nada agora fazia realmente sentido.

Um medo enorme apoderou-se de seu coração, encheu seu peito de angústia e solidão. A solidão que sentia agora lhe preocupava. Não queria ficar assim.

Queria o sorriso verdadeiro no rosto, sorriso este sem medos e preocupações. Queria a alegria de que irradiou tanto de sua alma nos últimos meses.

Sabia que não estava de fato sozinha, mas não conseguia entender esse desespero, essa angústia.

Queria colo e silêncio. Queria seu esconderijo final, seguro, e queria so braços que lhe davam segurança e consolo.

Sentiu saudade.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dimenticare.

Dei uma esquecida das coisas, sabe como!?
Esqueci por alguns dias de abrir a caixa de e-mails, de verificar se haviam cartas me esperando na caixa do correio, e esqueci completamente de comprar pão.

Deixei o forno ligado com o bolo assando, e só me lembrei dele quando senti o cheiro de queimado tomando conta da casa. Esqueci do açúcar na massa do bolo. Esqueci de comprar massa de tomate para temperar meu macarrão.

Esqueci meu sabor predileto de suco, e também não lembrei que música gostaria de ouvir naquele fim de noite perfeito. Acho até, que música qualquer teria estragado tudo aquilo.

Parei de reparar em meus olhos no espelho. Deixei o café esfriar em minha xícara sem ter tomado nem um gole. O seriado predileto ficou baixando, mas acabei não vendo. As provas a serem corrigidas foram acumulando e o tempo esvaindo, lento, suave e gostoso.

Esqueci do mundo lá fora, e então lembrei de mim.
Lembrei de me achar neste amontoado de esquecimentos.
Lembrei de sorrir.
Lembrei de ser feliz, mesmo tendo que comprar comida pronta, porque estou desconcentrada demais para cozinhar neste momento.
O nosso momento.

sábado, 6 de novembro de 2010

Florindo a vida.

Confesso que tenho pensado demais em verões passados.
Às vezes sinto um cheiro que me transporta pra situações vividas há dois, três anos. Noutros momentos são o calor e o vento que me fazem recordar.

"Recordar é viver." "Viver o que?", eu me pergunto.

Porque ficar lembrando não trás de volta o que já foi, e nem eu o quero de volta.

Tive verões intensos. Tive amores de verão.

Mas o tempo passa, e com ele as estações.
Hoje vivo a primavera da minha vida. Hoje vivo todas as estações do ano no meu novo e último romance. Não sinto falta do que passou, e nem entendo porque tenho pensando tanto no passado. Sempre fui nostálgica, mas agora, com essa alegria nova instalada em meu peito, não tenho porque pensar no que poderia ter sido. Hoje, sonho - dormindo e acordada - com o que será de nós.

Esse verão que se anuncia nas vitrines coloridas e de roupas leves promete ser inesquecível. Neste verão, serei mais feliz.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tempo cinza.

A imagem bucólica que presenciei pela janela me levou ao passado, me transportou para tempos de solidão e frieza de coração.

O céu, de um lado da janela jazia branco desaguando chuva, e de outro, num frio cinzento, chorava a solidão da sua existência.

Lembrei-me de tardes sentada à vista de minha janela, mais vendo do que sentindo o tempo passar, tendo milhares de pensamentos em minha cabeça e ao mesmo tempo um silêncio gélido ecoava em minha alma.

Um tempo em que as dúvidas e confusões eram maiores em mim que a certeza de quem eu era.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Na falta de palavras, falo mais ainda.

A cama quando se deitou estava extremamente vazia. Sentiu frio e não havia meio que pudesse aquecê-la naquele momento, porque depois de tantas horas seguidas imersas no calor do colo dele, estar sozinha só faria sentir frio, sentir medo.

Ouviu do lado de fora a chuva. Sentiu seu corpo se arrepiar de frio e teve de aceitar que além da ausência que ela teria de superar nesta noite, teria também que enfrentar um de seus medos. Aguentaria a chuva, os raios e trovões. Fingiria para si mais uma vez.

Apesar do som da chuva e do barulho incômodo dos raios, seus quarto, sua noite estavam silencioso demais. Não havia a respiração lenta e profunda que a embalara na noite anterior, nem tampouco as batidas daquele coração que tanto lhe importava. Ele possuía o melhor som do mundo, e era responsável pela vida do ser que lhe inspirava todo o amor que havia dentro dela.

O cheiro da sua coberta pela primeira vez remetia seus pensamentos para o cheiro mais doce, suave, envolvente e entorpecente. O cheiro que anestesiava e causava arrepios. O cheiro que lhe inspirava razão para acordar, levantar, persistir. Tudo hoje tinha outras razões. Tudo hoje tinha outra cor.

Cores mudadas, cheiros importantes e embriagantes, calor aconchegante.
A vida em si era outra.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quem sou eu.

Tantas vezes sou fogo, avassaladora e egoísta. Sou gelo, cortante e assassino; refrigério em meio à seca e ao calor escaldante. Outras tantas sou fonte de vida e de calor.

Sou veneno destilado, fala aguda, pronta para agredir. Em outros momentos, me dou como consolo, como ombro para lágrimas, pranto e praguejamento. Sou doce, amável e sorridente. Pronta a fazer sorrir.

Me sinto amada e detestada todos os dias. Nuns mais que em outros. Me sinto perdida inúmeras vezes, como uma criança assustada que não sabe onde ir. Que não tem para onde ir, e noutras me sinto segura, dando segurança a outro ser.

Nele tudo se completa. Ou seria com ele tudo completo fica?
Posso estar perdida inclusive deitada em seus braços, mas mesmo assim sei quem sou e tudo aquilo que gosto, inclusive seu gosto. Posso sentir frio e medo dos trovões lá fora, mas sinto-me segura e aquecida por seu hálito.

É, nele tudo se completa.
O frio e calor, o doce e o salgado, o bem e o mal. O amor e a amizade, misturados com paixão.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dias como hoje.

Definitivamente odeio chuva.
Odeio molhar o pé e ter que ficar com eles neste estado o dia todo. Odeio pessoas que fecham totalmente as janelas do ônibus, fazendo com que eu respire um ar sujo, viciado, usado e descartado por todos ao meu redor.

Odeio goteiras de calha das lojas, que derramam em nós aquelas água suja sabe Deus do que. Odeio poças e calçadas com pedras soltas, que quando a gente pisa, levantam e espirram água lamacenta em nossas calças e tênis.

Odeio o mau-humor além do comum que se instala em mim em dias de chuva. Todo dia de chuva eu queria estar embaixo das cobertas, vendo um bom filme. Aliás, acho que em dias de chuva todo mundo devia ter o direito de ficar em casa com uma coberta gostosa, um bom filme e uma companhia prazeirosa.

Odeio ter que sair de casa com guarda-chuva e carregá-lo molhado o dia todo, pois precisamos dele, mesmo que ele não impeça com que molhemos nossos pés e barras de calça, nos deixando à mercê do frio o dia todo. Raios, trovões e céu preto em pleno dia me assustam, fazendo com que eu pareça uma criança.

Sinto falta da nossa cama e televisão em dias como hoje. Sinto falta de você como nunca.

sábado, 2 de outubro de 2010

Mãos em brasa.

Lentamente seus olhos pousaram sob as mãos delicadas com as unhas sempre feitas e seu peito encheu-se de um calor sentido todos os dias desde o início do namoro. Foram as mãos, as suas e as dela, que aproximaram os dois. Um carinho pincelado com sorriso, um brilho novo nos olhos com uma chama intensa no coração.

Olhar para seu ritual matinal era algo hipnotizante. Sabia exatamente como ela seguraria o açucareiro, com que mão seguraria o pão e a faca, e até  a expressão de semi-acordada que ela transmitia logo cedo. Lembrava então dos olhos de contorno azul no instante do tchau mais difícil, mas pensar nisso trazia consequentemente o "oi" e do abraço mais esperados. Voltava a emoção da primeira vez que acordou e logo em seguida pôde mergulhar nos olhos cor de caramelo. Fora uma manhã fria de sol. Era o inverno deles.

Tudo começara de um contato das mãos, que quando se tocaram, uniram dois corações machucados e adormecidos, que apenas precisavam de calor para despertar. E o contato trouxe todo o calor necessário.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sea of love.


"Faz muito tempo que não tenho o que dizer..."

Já era quase uma da manhã e a noite estivera fria. Senti muito frio nos últimos dias, e também certa insegurança. As nuvens tomaram meu céu, não me permitindo ver que eram quase sete da manhã e o dia brilharia... mas...

Tudo mudou.
Ouvi palavras que serviram para abrir meu horizonte, que levaram meu coração a se aquecer.

Os faróis azuis da cor do céu piscaram, guiando meu caminho. O sorriso como o mar em dia calmo, manso e suave me deu várias certezas. As mãos suaves como brisa de primavera acalentaram meu coração.

Pude saber que estava no caminho certo. Pude ter certeza, enfim, que minha vida começava. Não como sempre sonhei,

Mas muito melhor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ecoando o silêncio.

No rosto o mesmo sorriso de sempre. Nos passos pelo corredor sinuoso, distribuía sorrisos de bom dia, por mais que o seu não estivesse assim tão bom. 

Se esforçava diariamente para que - se pelo menos não fosse desejada - ao menos não fosse tão inconveniente assim.

Seguia sua rotina, cumpria suas funções, tentava fazer tudo da maneira certa. E mesmo assim só via as coisas sendo mais difíceis para si do que pros outros.

Cansou.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caixa vazia.

Para onde tu a levou?

Com tantas olhadas para o lado, eu só posso concluir que estava a procurar algo que já não encontrava comigo. Procuramos entre todo o passado, encontrar algo que fortalecesse o futuro, algo que lembrasse o começo, a alegria. Mas não.

Não foi assim, nem mais seria.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

In solitudine.

Odeio quando me perco a tal ponto que nem nas palavras eu me encontro.
Odeio não saber como agir, como sorrir e fingir estar tudo bem.

Quando não consigo fingir, me torno mais distante de tudo, porque me culpo. Não quero em momento algum preocupar, fazer sofrer. Mas meus silêncios inconstantes e minhas muitas mudanças de humor e fisionomia sempre preocupam.

Meus sorrisos são instáveis. Quando estão aqui são verdadeiros. Quando somem, custo a achá-los de novo.

Penso demais. Penso em muita coisa e durante muito tempo. Isso nos faz parecidíssimos. E com isso pensamos demais sobre tudo que acontece. Conosco e ao redor.

Penso demais em quantas vezes eu erro por, num momento apenas, não ter pensado. Não ter medido atos e palavras. Não ter sorrido sinceramente a ti quando não tinha nada errado, só estava longe.

Não gosto de me sentir longe, distante dos outros.
Já me sinto sozinha o suficiente estando perto das pessoas, quem dirá estando longe.

Promete não me deixar sozinha?

Fica aqui essa noite...

domingo, 5 de setembro de 2010

Ladra confessa.

Quero te roubar para mim.
Quero te tirar do mundo que tantas vezes nos cansa, nos dá problemas e te levar para um lugar onde possamos ser felizes. Levar conosco aquilo que te faz bem, aquilo que faria falta, e seguir viagem.

Pegar o carro - contigo ao volante - e sair sem rumo certo, mas com o desejo crescente do novo; de nós e todo o resto por consequência.

Parece que cada dia que olho para trás, eu descubro que ainda não sabia te amar como mereces. Todo novo dia te amo um pouco mais, te amo um pouco melhor. Quero que sejam assim todos os dias. Quero aprender de novo e de novo como te fazer feliz.

Não me contentarei em te amar. Quero amar além do que se pode escrever, do que se pode explicar. E sinto que estou nessa trilha há alguns meses já. O caminho que me escolheu, que te escolheu. Quando olhamos para o lado, reparamos que íamos acompanhados pela trilha que nem lembrávamos onde tinha começado.

Quero te roubar pra mim, e te ter pro resto da vida.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Na roda, na ciranda.

Um sorriso brincou no canto dos lábios.
Um brilho novo mas também conhecido apareceu no olhar.
A mesma irregularidade na respiração, a mão trêmula, o coração acelerado e a vontade de dançar.

Os pés estavam agitados. Estavam no mesmo ritmo que o coração. Tinha um sonho tão nítido à sua frente que quase podia alcançá-lo.
A felicidade lhe batia à porta, e queria entrar. Sabia-se que seria permitida a sua entrada.
Agora já era certo que queria ser feliz, finalmente achava que merecia a tal alegria de viver.

A felicidade lhe tomou pela mão e guiou uma ciranda sob um céu de lua crescente, não mais a cheia. Outrora a lua cheia foi sua fase favorita, mas agora a lua crescente, a idéia de começo, de surgimento que lhe encantava muito mais.

Em seu peito crescia sua alegria, sua força por viver.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Embaralhando a felicidade.

Gostavam de jogar aquele jogo.
Ele adorava quando ela ganhava. Adorava ver o sorriso de vitória e malícia em seus lábios. Ela adorava ganhar e sentir-se capaz. Mas adorava perder também. Amava vê-lo campeão, vê-lo realizado com a alegria da vitória estampada em seus olhos e sorriso.

As regras mudavam de acordo com o humor de cada um deles. Às vezes se amavam e só queriam deitar juntos, sorrindo um pro outro. Tantas outras vezes não queriam calmaria. Queriam correr, gritar, cantar e expor a felicidade para o lado de lá.

A regra que nunca mudava nem mudaria era a que determinava que deviam estar juntos para serem felizes. Não importando o clima ou a duração do momento, cada nova experiência vivida juntos abria um novo leque de possibilidades para encontros futuros, possibilidades de novas formas de amar, de amor e admiração.

A cada novo encontro eles se viam mais felizes e apaixonados.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vulto no espelho.

O dia ensolarado não refletia o que se passava do lado de dentro.
Ali continuava frio e chuvoso. Chovia desamor, chovia solidão.

O sol brilhava, crianças gritavam e gargalhavam, e o dia estava bonito. Mas ali não.
Não havia mais beleza em seu coração. Não havia mais de onde tirar calor.

Pensou muitas vezes em fugir, em se esconder.
Mas isso não era necessário.
Não fazia diferença na vida de ninguém, e não batiam à sua porta há mais de 20 dias. Se ficasse ali ou fosse para outro lugar seria a mesma coisa. Seria sempre apenas um fantasma, já que era tão pouco notado, e sua presença tão pouco desejada.

domingo, 15 de agosto de 2010

24.



Cometi tantos erros. Acordei tantas vezes ao longo da noite e senti falta de ar tantas vezes. Precisei de segundas chances mais de dez vezes. Bati minhas pernas uma porção de vezes, e com isso ganhei vários roxos.

Machuquei tantos corações. Vi o meu sangrar outras tantas. Sorri quando quis chorar. Chorei de alegria e emoção. Corri na chuva em busca de respostas, mas também me escondi embaixo das cobertas com medo dos trovões.

Comecei Dorian Gray algumas vezes e nunca o terminei. Li O Morro dos Ventos Uivantes tantas vezes que elas são incontáveis.

Me afastei de Deus algumas vezes, mas nunca estive sozinha. Quis fugir dEle um par de vezes, mas sempre corri de volta para Seus braços.

Passei noites incontáveis sonhando com um amor de filme, olhando para a lua. Hoje olho para ela e me lembro do meu amor maior do que os de cinema.

Dediquei inúmeros textos a fatos tristes. Acumulei muitas mágoas. Sangrei.

Hoje sorrio e sou feliz como nunca sonhei ser possível.
Sou amada e amo também.
E durante esta escrita, ouvi várias vezes 24 do Switchfoot.

"Spirit, take me up in arms with You..."

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O caminho se abriu.


Andando por ali encontrava de novo um motivo para voltar a ter força. Ali havia o cheiro característico que fazia sentir-se em casa. Havia os móveis de madeira antiga, que levavam suas lembranças para blusas de lã grossa feitas pela avó. Para fatias de bolo de fubá com café; que traziam ao seu nariz o cheiro de chuva na terra, um cheiro de infância.

Andando por ali conseguia encontrar em si a fé na vida, a coragem para lutar, a força para aguentar os possíveis machucados. Encontrava no caminho a beleza que lhe dava inspiração para escrever, lhe dava idéias de letras e fotos, fatos e contos.

Andando ali avistava um futuro promissor: casa, carro e filhos. Profissão que gostava, companhia que amava, e amava o que fazia também.

Ali havia um leque de opções se abrindo a sua frente.
Dentro de si encontrava um mundo novo a cada dia, com algumas certezas eternas, imutáveis.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ao pé da janela.

"Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia..."

Esperei, fiquei ansiosa, roí as unhas e nada fazia o tempo passar de maneira normal.
Estava aflita, precisando de tua voz, de teus suspiros e risadas. Precisava da tua prometida ligação

Quando não mais aguentava de saudade, você fez algo melhor do que eu podia esperar. De repente estava a sorrir ao pé de minha janela, com copos de café e bombons na sacola em sua mão.

Te sorri e corri abrir a porta.
Te recebi como quem está a ver um presente, algo fora do comum.

Espero o tempo que for, se for para ser tão bom assim toda vez que te encontrar. Espero a vida toda se for para te ter comigo durante todas as tardes vazias e frias noites.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Olhos comuns: castanhos.

O contorno de sua íris sempre passou despercebido, até o dia em que lhe disseram que este era uma fina linha azul. Então olhou dentro de seus olhos no espelho e encontrou a tal linha.

Houve um tempo depois disso que olhar-se no espelho doía, pois a finíssima linha destacava-se do resto do rosto, fazendo-a lembrar de tudo que passou.

Mas depois de muito tempo, nem lembrava mais do contorno azulado, nem de quem lhe contou este segredo.

Gostava de olhar no espelho e ver seus olhos quando cor de mel, caramelo ou chocolate, que eram as nuances de seu olhos que encantavam belos olhos azuis - estes azuis por inteiros.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ainulindalë

"E então as vozes dos Ainur, semelhantes a harpas e alaúdes, a flautas e trombetas, a violas e órgãos, e a inúmeros coros cantando com palavras, começaram a dar forma ao tema de Ilúvatar, criando uma sinfonia magnífica; e surgiu um som de melodias em eterna mutação, entretecidas em harmonia, as quais, superando a audição, alcançaram as profundezas e as alturas; e as moradas de Ilúvatar encheram-se até transbordar; e a música e o eco da música saíram para o Vazio, e este não estava mais esteve vazio. Nunca, desde então, os Ainur fizeram uma música como aquela, embora tenha sido dito que outra ainda mais majestosa será criada diante de Ilúvatar pelos coros dos Ainur e dos Filhos de Ilúvatar, após o final dos tempos. Então, os temas de Ilúvatar serão desenvolvidos com perfeição e irão adquirir Existência no momento em que ganharem voz, pois todos compreenderão plenamente o intento de Ilúvatar para cada um, e cada um terá a compreensão do outro; e Ilúvatar, sentindo-se satisfeito, concederá a seus pensamentos o fogo secreto.
...
E muitas outras palavras disse Ilúvatar aos Ainur naquele momento; e, em virtude da lembrança de suas palavras e do conhecimento que cada um tinha da música que ele próprio criara, os Ainur sabem muito do que foi, do que é e do que será, e deixam de ver poucas coisas. Mas algumas coisas há que eles não conseguem ver, nem sozinhos nem reunidos em conselho; pois a ninguém a não ser a si mesmo Ilúvatar revelou tudo o que tem guardado; e em cada Era surgem novidades que não eram previstas, pois não derivam do passado. E assim foi que, enquanto essa visão do Mundo lhes era apresentada, os Ainur viram que ela continha coisas que eles não haviam imaginado. E, com admiração, viram a chegada dos Filhos de Ilúvatar, e também a habitação que era preparada para eles. E perceberam que eles próprios, na elaboração de sua música, estavam ocupados na construção dessa morada, sem saber, no entanto, que ela tinha outro objetivo além da própria beleza. Pois os Filhos de Ilúvatar foram concebidos somente por ele; e surgiram com o terceiro tema; eles não estavam no tema que Ilúvatar propusera no início, e nenhum dos Ainur participou da sua criação. Portanto, quando os Ainur contemplaram, mais ainda os amaram, por serem os Filhos de Ilúvatar diferentes deles mesmo, estranhos e livres; por neles verem a mente de Ilúvatar refletida mais uma vez e aprenderam um pouco mais de sua sabedoria, a qual, não fosse por eles, teria permanecido oculta até mesmo para os Ainur.
Ora, os Filhos de Ilúvatar são elfos e homens."

[O Silmarillion - J.R.R. Tolkien]

terça-feira, 27 de julho de 2010

O que tiver que ser.


"Não sei se quero mais viver aqui sem você,
Se a cada dia eu me vejo mais infeliz.
Antes era tão sério,
Agora rio sem motivo para não chorar."


Tudo outra vez. Perdido de novo.

Teu sorriso se foi e eu fiquei com essa cara que me acompanha, parecendo um bobo, um idiota que não sabe como recomeçar.  O que é extremamente verdade.

Você me deixou para trás, dizendo que eu devia seguir meu caminho, que eu não podia abandonar meus sonhos. Mas que sonhos eu vou abandonar? se todos os que tinha eram contigo, e você os levou embora.

Juro que tento. Tento todos os dias ao levantar, e tento de novo ao me deitar, mas ainda está frio aqui. Ainda estou vazio, e por este vazio, meus passos ecoam sozinhos e tristes no corredor. 

Você levou o que eu era, e agora eu apenas estou. Estou sozinho, estou perdido, estou com frio. Estou cansado e querendo teu amor. Preciso de ti.

"Eu faço tudo o que você quiser, baby."

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Monocromático? Agora verdadeiro.

O sorriso havia sido pintado no rosto. Estava ali todos os dias.
A sensação de família feliz, pai, mãe e irmãos. Sorrisos pintados.

Estava desbotando. O quadro perfeito não estava guardado num museu, com proteção da luz, umidade, mofo. As lágrimas molhavam o quadro. A cor estava escorrendo pela tela, manchando a moldura.

Manchas não só de tinta. O mofo também manchava.
Mas não tinha como abrir a janela pra que entrasse sol, entrasse calor.

O sorriso pintado se desfez. Mas por trás dele não apareceu um rosto triste. Depois que ele se desfez, pode-se olhar para aquele rosto e ver um sorriso verdadeiro. Havia um motivo muito maior para sorrir. Havia a sua família agora. Começando, é verdade. Mas esta seria sua, e seria feliz.

domingo, 25 de julho de 2010

Traga o seu lar.



Foi preciso um bom tempo para eu entender que o bom par não é sempre quem faz rir, mas pode ser quem também te causa choro, dor. Dor de saudade, choro de vontade de colo. Aprendi agora que posso sim precisar de você sem ter que me envergonhar disso. Posso precisar e posso assumir.

Tento te fazer rir a todo momento. Sou chata, durona, teimosa.
Sou preocupada, carinhosa e carente.
Quero cuidar da tua roupa, da tua comida e do teu sono.

Não sei disfarçar quando não estou feliz. Mas também não sei mentir ao te sorrir. Todos os meus sorrisos são verdadeiros; são seus.

Não sei disfarçar que sinto ciúmes sim! Não nego ser desse jeito..
Não que eu tenha ciúme de tudo e todas. Você sabe que não é isso. Mas aah, sou assim.

Quero sempre ter o controle de tudo, mas estou aprendendo que tenho que entregar minhas coisas, que tenho que me entregar aos teus cuidados. Aprendi que você é quem me cuida.

E contigo desaprendi a escrever de outras coisas que não você..

domingo, 18 de julho de 2010

Desse jeito.

No meio ao caos, encontrei teu sorriso iluminando meu caminho, dizendo que não estava a brigar comigo, e sim que só queria me ver mais leve. Tuas mãos tentaram tirar o peso dos meus ombros, tuas palavras foram bálsamo pro espírito cansado.

Vi-me cansada de tudo ao meu redor, perdida e confusa e você me piscou, com muito significado por trás de seus longos cílios que emolduram seus belos olhos azuis. Tive paz então.

Meus pés ficaram gelados e você os segurou com suas mãos sempre quentes, até que eles esquentassem também. Um arrepio de frio passou por meu corpo, e prontamente seu braço estava ao redor de minha cintura, dando-me calor.

Meu coração foi preparado ao longo dos anos para um amor maior que eu, e então você me sorria com olhos intensos, dizendo pra eu tomar a trilha que se abria à nossa frente, um caminho a ser seguido a dois; nós dois.

Você está sempre na hora certa, no lugar certo, com a atitude certa.
Você é o certo pra mim.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Como a lua nova.

A tabela de cores em cima do sofá é a mesma da semana passada, ou fizeram uma nova mistura de tons?

Minha parede pintada de roxo.
Minha vida numa harmonia estranha.
Meu sorriso fora do ângulo, meus pés angulares no chão.

Sempre gostei de linhas. Retas.
Passei a admirar as curvas, circulos. A suavidade que elas transpassam.
Mas elas podem ser fortes também.

Os contornos incertos e indecisos da lua, mutantes como o humor de uma mulher.
Obscuros e singelos. Misteriosos e difíceis.
Nítidos quando ela se permite refletir algo belo. Escondidos em um céu sombrio quando ela se fecha, quando se esconde atrás de outro corpo.

Meu corpo reflete outro além do meu.
Minha alma anda ao lado de outra, e não mais escondida.
Passei a sorrir mais vezes, e mais verdadeiramente.
Entendo um olhar aparentemente mudo, mas tão expressivo.

Ouço meu pulsar mais alto, mais vivo.
Lembro que ao lembrar de ti, me vejo mais clara.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Gelo e cheiro.

Precisei de teus braços no lugar de minhas cobertas hoje. O sol que brilhava do lado de fora da minha janela não foi capaz de aquecer meus pés e mãos tão gelados.
Precisei de teus afagos.

As horas escorreram lentamente e meus olhos piscavam tão pesados. Tive muito sono hoje, pois a noite passada não foi de descanso. Acordei agitada a noite toda, com lágrimas escorrendo por meu rosto e molhando meu travesseiro toda vez que sonhava que estávamos brigando.
Senti medo a noite toda.

A xícara de café que eu bebi apenas me manteve presa ao "acordada", mas meu cérebro não estava desperto. Estava sim totalmente entorpecido, esperando a injeção de ânimo que é o seu cheiro pra mim. Preciso do teu cheiro para sentir que estou acordada.
Só seu cheiro é capaz de aquecer meu coração.

domingo, 4 de julho de 2010

Pelo buraco da fechadura.

Não tenho visto coisas inspiradoras nesses dias tão estranhos. Minha cabeça trabalha, trabalha, mas nada sai dela. As coisas estão ficando presas. Tenho perdido um outro tanto.

Quero escrever, mas neste tempo sobra vontade, falta inspiração. Parece que acabou a luz. Alguém fechou a porta e levou a chave embora, deixando toda a minha inspiração trancada do lado de dentro.
Eu a ouço gritando por socorro, dizendo que está sufocando e que eu tenho perdido bons textos... mas a porta e as janelas estão trancadas.

Terei de esperar pelo amanhecer, até que o zelador chegue para abrir as salas de aula.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sabor de infância.

Tomates verdes com sal a lembravam de sua infância.
Se via sentada sobre a bancada da cozinha, com as perninhas curtas balançando no ar. Sua mãe preparava bife com batata frita, o prato predileto dela.
O cheiro de alho do tempero do bife voltava a seu mente agora, depois de tanto tempo.
O gosto do tomate com sal também.

A menina e o irmão amavam comer feijão recém cozido com arroz numa caneca, antes mesmo do arroz estar pronto.

Não entendia porque lembrava tanto da infância agora. Foi uma infância normal, sem grandes atrativo ou aventuras.Mas fora feliz.
Ela era uma menina feliz e apaixonada pelo pequeno irmão risonho dos olhos verdes. Mas em algum momento, e ela não sabia qual, o carinho pelo irmão se perdeu. Desaprendeu a ser legal e boa com o menino.

Nunca teve muitos amigos.

E após tantas brigas, choro, raiva e uma despedida sem tchau, sem abraço ou palavras, a menina via que sentia falta do irmão.
Ela se via de novo naquela bancada. Feliz e e carinhosa, e pensava em como recuperar o tempo perdido, e superar as mágoas acumuladas.

Queria dizer que o amava.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Lápis na mão do designer.

"Pode rir agora que o fio da maldade se enrola!"

O que sei de mim e de nós é que merecemos o amor que nos foi oferecido, todo o amor do mundo. Merecemos viver o que ganhamos hoje, porque esperamos anos para alcançar algo assim. Sem saber ao certo o que esperar, sem saber o que sonhar. E tudo chegou rasgando, fazendo barulho, mas suave como uma brisa de primavera, que vem para aliviar do calor, que vem para trazer vida.

Todo o sonho tido até então parece sem sentido e sem cor. O mal que vem, os problemas que chegam, as tristezas que cercam, tudo isso foi enrolado. E até isso tem cor, mesmo que seja só para dar um toque diferente, cult na fotografia do filme.

Nossa fotografia foi escolhida com esmero, sendo feita para dar intensidade e brilho. Gostamos de cores frias, mas fortes. Cores que passem a nossa intensidade.

E vamos colorindo o mundo.
O nosso e o outro.

"Até o fim raiar..."

sábado, 26 de junho de 2010

Nitidamente sua.

http://www.youtube.com/watch?v=uUo4NbPtbPU


"Deixe que ela entenda o traço,
Que invente a fuga por nós dois..."

Que o traço seja sempre o certo, o caminho o mais belo - e não, necessariamente, o mais fácil. Aprendemos depois de algum caminhar que a beleza da trilha, a intensidade das histórias que poderão ser contadas, valem mais do que ter algo fácil. Até porque, como se diz pelo povo, o que vem fácil demais é pouquíssimo valorizado.

Aprendi a valorizar muita coisa com que fui negligente. Aprendi a olhar e procurar uma pessoa melhor dentro de mim, para ser uma pessoa melhor para quem precisa de mim. E isso em muitos casos.

O traço para nossa vida ainda é claro para muitos, embora eu - muitas vezes - o veja mais nítido que o meu próprio reflexo no espelho. Sou nitidamente sua companhia, agora e pelo resto do futuro.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Tropeçando em outros erros.

"Tell me that you'll open your eyes..."

Eu queria saber se você descobriu a verdade, se você finalmente encontrou seu caminho. Você já sabe que trilha seguir na sua vida?

Ainda me preocupo contigo, mesmo depois de todos esses anos que nos separam.Olho para a época em que podia segurar a tua mão, e sinto que eu devia ter agido de maneira dierente. Talvez eu devesse ter dado mais amor e compreensão a você. Ou talvez eu devesse ter ido embora antes de que você gravar a minha imagem e a minha presença na memória.

Talvez você estivesse bem sem mim hoje.. talvez você fosse alguém melhor, e menos parecida comigo em meus defeitos.

sábado, 19 de junho de 2010

Perdido em outros passos.

"desate o nó / que te prendeu / a uma pessoa que nunca te mereceu / desate o nó / que nos uniu / num desatino / um desafio / ando só / como um pássaro voando / ando só / como se voasse em bando / ando só / pois só eu sei andar / sem saber até quando / ando só"


Eu ando só pois eu sei andar. Sei caminhar sem me preocupar com outro alguém, com outros passos e outro ritmo. Ando só pois só eu sei andar. Ninguém sabe andar comigo, ninguém entende por onde já passei, o quanto já fiz e vivi.

Sem saber até quando, eu aguento andar só, e só andar. Não tenho motivos para mudar o ritmo da minha caminhada. Não tenho porquê transformá-la em corrida, ou até mesmo um motivo para dar uma parada.

Não tenho motivos para mudar meu semblante, mudar meus pensamentos. Estes, na verdade, quase não mudam. Eles quase não existem.

Andar não requer pensar. Andar só requer menos pensar ainda.
Não me preocupo com ninguém.

Eu não amo ninguém.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Live in someone else's dream.


"And you didn't know what to do..."

Como fazer uma escolha sensata se de ambos os lados você encotra mãos estendidas à você? Qual par de mãos, de olhos, qual sorriso e qual caminho escolher, Cath?

Os olhos piscam mandando sorrisos e lágrimas por vez ou outra.
Sorrisos e lágrimas que indicam caminhos percorridos, histórias já vividas.
Abrem também novos caminhos. E ela não sabe qual deles escolher, qual deles é melhor.

Cath, you need make a choice.

Cath,
escolha seguir um caminho.

Ou desista dos dois.

sábado, 12 de junho de 2010

O ontem, hoje e sempre.

Seu café me aqueceu e me fez despertar depois de um tormento.
Suas mãos estendidas, com o sorriso aberto me fizeram ver que eu enfretaria tudo de novo, se fosse para ter a recompensa que tive.
Seus olhos radiantes e intensos me fizeram crer de novo na capacidade de ser feliz, de me sentir segura.

Suas palavras me falavam muito mais do que você imagina.
Seus gestos refletiam amor, e um amor que eu partilho e compartilho com você, e só você.

Começamos agora.
Começamos de novo.

Feliz dia dos Namorados.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cliche adeus.

"Quando aconteceu? Não sei /Quando foi que eu deixei de te amar? / Quando a luz do poste não acendeu / Quando a sorte não mais soube ganhar / Não.. / Foi ontem que eu disse não.. / Mas quem vai dizer tchau?"

A gente não percebeu a luz do corredor fraquejando, não percebeu que apostas estavam sendo feitas, mas que perdíamos uma após outra. Não vimos o amor escorrer por entre os dedos e virar mágoa, virar amargo.

Aconteceu que o respeito do começo, o fogo da paixão avassaladora se consumiram, deixando cinzas, que deviam durar, que deviam exercer a função da lenha em brasa.
Mas cinzas não aquecem!
Cinzas apenas espalham-se como poeira, fazendo-se de difícil na hora de limpar, complicando a hora de fechar a casa nossa para a venda.

Nenhum de nós vai morar lá, onde rimos e tanto fizemos chorar.
Passá-la a outros, que talvez usem a lareira sabiamente. Passar a quem ame.

Foi ontem que eu disse não, e hoje que digo tchau.

sábado, 5 de junho de 2010

assim.

De repente ela se viu destrancada, com a porta aberta esperando que a cruzem. De repente a janela estava aberta e a lua crescente iluminava a vida, com todo seu contorno encantador.

Aos poucos os cadeados foram sendo postos de lado, pois ela sabia que eles não eram mais necessários. Outrora eles estavam ali para tentar protegê-la, o que não mais se fazia necessário. No fundo ela sabia que não eram mais necessários.

Depois de tantos anos de convivência e amizade eles se conheciam bem, e isto bastou para que todas as correntes e trancas fossem jogadas no lixo. Foi diferente olhar e ver além do que já lhe era comum. Foi confuso, bom e encantador ver que podia ser diferente.

[Postado originalmente em Simples Anexos - 21 de dezembro de 2009]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

P.S.

...I need you.


Queria ser capaz de descobrir de onde surgiu tudo isso? Todo o amor que explodiu em meu peito, toda a dependência que se anuncia quando sorrio pensando em você, sonhando com nossas tardes e manhãs preguiçosas.

A necessidade do ar que te cerca e da água que mata tua sede. A necessidade do frio que te gela e do calor que te alegra. A necessidade da tua mão na minha, e tua cabeça no meu ombro.

De onde você surgiu, nessa perfeição toda? Seus passos acompanham os meus, seu corpo encaixa ao meu.

Ainda não acredito, mesmo depois de anos. Foram anos mesmo? Parece que sim.

Sim. 

Te amo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Madrugada inconstante.


Estava assim gelado.
Estava assim e assado.

Jogou o saco de gelo no chão, porque queria ver os grandes pedaços se partindo. Jogou as cartas pela janela porque queria ver papel voando.
Jogou verdades no ventilador e o chá frio na pia.

Sorriu depois da sujeira. Havia tinta vermelha espalhada pelo chão, depois de seu acesso criativo. Havia pedaços de jornais colados na parede e quadros partidos pelos cantos.

Sorriu.

O alívio estava a caminho. Mesmo em meio a tormenta.

Sentiu que ainda podia sentir.

Sonhou.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Yourself sale.

Para muitos o amor se perdeu. É só vagar por blogs que logo sem constata que a maior parte deles falam de amores fracassados, de dores e dissabores. E sempre tem mágoa, culpa colocada em outro alguém, palavras estúpidas jogadas pela janela, pela porta e pela boca, atingindo quem ousar passar pelo caminho.

Para muitos o amor é algo banal. "Ama-se" tanto e tantas pessoas que não se ama ninguém nem nada de verdade. Tem sim solidão. Tem medo da solidão, medo de ficar consigo mesmo. Apesar de não se querer falar sobre o amor ultimamente, sempre tem coisa demais. Amor demais. Falta de amor.

O amor não é algo que você vai ganhar de brinde na caixa de cereal. Embora compartilhar o gosto pelo mesmo cereal ou sorvete possa descarrilhar algo. Mas não necessariamente.

O presente não está em ser amada[o], mas em amar e ser capaz de fazer o outro feliz. As más línguas podem dizer que o amor é egoísta, pois amamos quem nos faz feliz. Mas o fazer feliz, o amar verdadeiramente vem justamente do contrário. Vem de ser capaz de causar um sorriso verdadeiro, de acalmar um espírito aflito com um carinho, de se emocionar lendo algo que não é romântico, mas simplesmente te lembra algo que o outro ama.

Não me conformo. Não aceito corações em negociata. Não aceito sentimentos in sale.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Whisper words of wisdom.


"And when the night is cloudy,
There is still a light that shines on me,
Shine on until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music
Mother mary comes to me
There will be no sorrow, let it be."

Uma luz brilha dentro da janela. Olhou por ela tantas vezes, esperando um sinal, e hoje estava lá. Depois de tantas mensagens, tantas ligações, ela havia deixado a luz acesa. Sinal de que podia subir.

Sentira falta da amiga, sentira falta do abraço. Brigaram e nem recordavam mais os motivos - ou o motivo. Não sabiam nem quantos eram.

Doeu todo o tempo que passaram afastadas. Nunca fez sentido, mas também nunca foi fácil a aproximação. Geniosas e impulsivas. Briguentas.

Hoje ela subiria a escada e encontraria o que queria. Ou esperava encontrar. Queria braços abertos e um sorriso entre lágrimas. Queria um abraço e um beijo. Queria um cheiro.

Sentira falta da amiga.

domingo, 23 de maio de 2010

A última gota de...


A última taça de vinho da noite. A última unha intacta. E de intacto só restava isso. O coração estava em pedaços. As mãos ansiosas queriam destruir tudo o que estava ao alcance. O coração estava dilacerado.

Nao entendia porque ele a abandonou, porque foi embora. Quando chegou em casa a garrafa estava aberta sobre a mesa. A garrafa do vinho precioso que compraram juntos num leilão. Eram duas: uma bebida no casamento, e esta, sobre a mesa, que deveria ser aberta nas Bodas de Prata.
Mas ele a abriu. Ele a deixou.

Ela entendia que ele de fato tinha ido embora não pela ausência de suas roupas no armário, livros e cds na estante, mas pela garrafa de vinho violada. Ele bebeu uma taça apenas, pela quantidade que faltava.
Agora ela bebia a última taca que restava.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quantos raios tem o sol?

"Só sei meu amor,
Só sei meu amor,
Foi na ciranda
Que aprendi a te amar."


 A saia rodava no compaso da música e no descompasso do mundo. A menina dançava com tanta alegria que a lua chegava a invejá-la. E dentre tantos outros, tantos passos naquela noitinha quente, seus olhos atrairam outros olhos. Seus movimentos encantaram um certo coração.

Seus pés não tão ligeiros, mas muito serelepes bastaram para trazê-lo até ela, que ajustou seus passos aos dela. E ele tentou ajustar todo o resto. Tirou a louça suja da mesa, juntou os jornais largados no chão e organizou a estante de livros.

Mas não bastou.
Não dava simplesmente pra ajustar o que ela não queria que fosse.

Não queria a xícara de café que ele estava oferecendo. Ou até queria, mas sem nada em troca. Queria o café e o amigo. A torta de limão podia ficar para outro dia, outra ocasião.

Ela queria voar naquele momento e ele queria um ninho.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Day In The Life - The Beatles

"
(sugar, plum, fairy... sugar, plum, fairy.)
I read the news today oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph
He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords.
I saw a film today oh boy
The English Army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had a look
Having read the book, I'd love to turn you on...
Woke up, fell out of bed,
Dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup,
And looking up I noticed I was late.
Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke,
and somebody spoke and I went into a dream
I read the news today oh boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall.
I'd love to turn you on."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sobre verdades e coragem.

"Ela passou do meu lado
Oi, amor - eu lhe falei.
Voce está tão sozinha
Ela então sorriu pra mim.
Foi assim que a conheci."

Porque se eu não tivesse seguido o simples ímpeto de lhe chamar, de lhe passar uma cantada qualquer, aquele sorriso não teria saído. Não teria atingido meu coração.

Meu coração estaria intacto, inalterado. Encontraria-se como foi por longos anos de solidão acompanhada. Nunca fiquei muito tempo sozinho, mas nunca me sentia acompanhado. As mãos que segurei nunca eram quentes o suficiente para aquecer meu coração congelado.

Fui intragável durante longo período. Chato, anti-social, descarado e desbocado.
Isso sempre me fez alvo de duras críticas. Mal visto por olhos femininos. Olhares atentos, procurando com a mesma dedicação o carinho, a delicadeza quanto o egoísmo, a falta de gentilezas galanteadoras.
Nunca fui de mandar flores só por mandar. Elas tinham que ter motivo. O romantismo nunca foi motivo pra mim. Assim fui assustando o público alvo, as afastando..

Mas aquele sorriso aconteceu. E ele atingiu meu coração.
Não sei qual foi a intenção dela ao me sorrir daquele jeito. Talvez a mesma que eu quando a chamei. Apenas se divertir um pouco.

Deeus, como pode, como é possível que tudo tenha mudado de forma tão brusca, de forma tão permante?
Duas semanas foram mais do que suficientes para eu me ver perdidamente apaixonado. O romantismo é mais que motivo. Ela é o meu motivo. Para flores, músicas, sorrisos e vida!
Não tenho mais saída.

sábado, 8 de maio de 2010

O Rock Acabou, mas e o amor?!

"Está tudo bem, acho que sempre foi assim."
Aquela música começou a tocar na rádio e ele não tinha como deixar de ouvir. A música que era capaz de penetrar o salão trancado do seu coração, salão qual ele jogou tudo que era capaz de lembrá-lo daquela pequena indomada dos cabelos de fogo.

Seu tormento começou com os acordes da canção, porque não queria deixar que sua saudade, suas lembranças o tomassem, mas elas vinham como ondas sucessivas e ele se via mergulhado nelas. Mal tinha tempo para respirar e outra lembrança o abraçava, tal qual ondas do mar agitado.

"Eu corro contra a luz, Eu fujo sem entender"
Não havia para onde simplesmente fugir. O tormento estava dentro dele. O amor mal resolvido, o silencio incurado. Se arrependia de não ter falado mais, não ter implorado pra que ela ficasse, pra que eles tentassem.

Ele não sabia mais amar. Não a outro alguém. Seu amor ainda era dela, embora isso não fizesse diferença alguma pra ela. Nem sabia mais dele. Por onde andava, com quem falava, o quanto bebia. Sua vida seguiu.

"Dorme aqui."

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Tudo tão certo.

"A conheci e tudo parecia perfeito. Oh nao, eu menti."

Tudo tinha sido tão certo. Tudo parecia perfeito. Inclusive as mentiras. As verdades maquiadas, as verdades escondidas. O sorriso guardado, a lembrança velada. O papel de bala na carteira e o dinheiro jogado no bolso.
A mentira contada era que aquilo não era pra ser. A mentira espalhada era que não tinha futuro. Elas faziam parte do cenário que eles viviam seu filme real.

Mentira maior era contada quando se dizia que viviam bem um sem o outro. Não viviam sem o outro. Nem que fosse do outro lado. Não importa onde. A lembrança do chocolate ganho e do beijo roubado. Do sorriso escondido e da fala perdida. A lembrança do Bom Par para dancar.

O bom par que não era só risada. Era também o choro. Era quem ouvia Moptop do outro lado da linha de propósito, para que o outro soubesse que pensava nele. Estava amanhacendo. As flores já haviam florescido. Nao precisavam mais...

"Dessa vez vou ser bom par."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Minha doce cerejeira.


Esperando florescer as cerejeiras.
Como diria o Imperador da Mulan, a flor que desabrocha em meio a adversidade é a mais bela de todas.
Sempre gostei das cerejeiras por conta do desenho da Mulan. É uma flor de cerejeira que o pai dela coloca em seu cabelo quando ela volta. É a uma flor dessas que ela é comparada.

E essa árvore é linda florescendo.

sábado, 1 de maio de 2010

Seguindo os segundos.

Sentou-se confortavelmente na sala de espera. Chegou um pouco antes da hora marcada, mas preferia assim. Detestava atrasos.

Pegou uma revista qualquer e começou a folheá-la sem grande interesse. Não estava com muita disposição para leituras pseudo-culturais. Estava abstratamente em outro lugar. Estava onde em breve teria que se transportar de novo, para que pudesse se fazer entendível. Pros outros e pra si.

Sua cabeça rodava tanto e tão frequentemente que às vezes perdia o equilibrio.
Tinha medo de cair.
Seus joelhos estavam roxos de suas quedas e batidas, embora não lembrasse quando os machucou.

O relógio continuava a avancar, com seu ponteiro de segundos contínuo. Adorova relógios assim. Não fazem barulho, e dão a sensação de continuidade, de uniformidade.

Seu nome foi chamado, finalmente.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bloqueio de tudo.

Ontem eu travei. As letras estavam aflitas refletindo meu espírito inquieto, mas mesmo assim elas teimavam em não sair. Tentei de tudo. Falar de mim, criar um personagem, dar continuidade aos já criados. Tentei ser direta, tentei usar metáforas. Nada funcionou.

Meu coração está travado. Ele queria acalmar outros espíritos.
Queria também conseguir escrever.

Meus textos me aliviam, alguns me dão prazer e orgulho.
Gosto de escrever. Gosto de falar. É legal que me leiam, que descubram alguns dos meus pensamentos.

Mas travei. Fiquei frustrada com isso.Não gosto de quando minha já escassa criatividade me abandona. Não gosto de não saber como expressar o que penso.
Mas e como fazer pra colocar pra fora o que aperta o coração, o que inquieta a alma, quando nem seus pensamentos estão em ordem!? Sofro com isso.
Sou inquieta por natureza, insegura, impaciente.
Quero escrever, escrever, falar, falar e falar até descansar.

Alguém me ajuda?

sábado, 24 de abril de 2010

O Cavalo e Seu Menino.

"Teve tanta pena de si mesmo que as lágrimas começaram a deslizar por seu rosto.
Um susto interrompeu os seus tristes pensamentos. Alguém ou alguma coisa caminhava ao seu lado. Nas trevas não podia ver nada. E a coisa (ou a pessoa) ia tão silenciosamente que ele mal podia ouvir suas pisadas. Ouvia, sim, uma respiração: o invisível companheiro de fato respirava com vontade; devia ser uma criatura enorme. Foi um grande choque.
...
A coisa (se é que  não era uma pessoa) ia tão silenciosa que talvez fosse sua imaginação. Já estava certo disso, quando ouviu ao seu lado um suspiro grande e profundo. Não era imaginação! O fato é que sentiu o hálito quente desse longo suspiro na mão direita.
...
- Quem é voce? - murmurou baixinho.
- Alguém que esperava por sua voz. - respondeu a coisa. O tom não era alto, mas amplo e profundo.
- Você é... um gigante?
- Pode me chamar de gigante - disse a grande voz. - Mas não me pareço com as criaturas que voc~e chama de gigante.
...
Sentiu novamente o hálito quente da coisa no rosto e na mão.
- Morto não respira assim. Pode me contar suas tristezas, rapaz.
O hálito deu a Shasta um pouco mais de confiança.
...
- Não acho que voce seja um desgraçado - disse a grande voz.
- Mas não foi falta de sorte ter encontrado tantos leões?
- Só há um leão - respondeu a voz.
- Não estou entendendo nada. Havia pelo menos dois naquela noite...
- Só há um leão, mas tem o pé ligeiro.
- Como você sabe disso?
- Eu sou o leão.
Shasta escancarou a boca e não disse nada. A voz continuou.
- Fui eu o leão que o forçou a encontrar-se com Aravis. Fui eu o gato que o consolou na casa dos mortos. Fui eu o leão que espantou os chacais para que você dormisse. Fui eu o leão que assustou os cavalos a fim de que chegassem a tempo de avisar o rei Luna. E fui eu o leão que empurrou para a praia a canoa que você dormia, uma criança quase morta, para que um homem, acordado a meia-noite o acolhesse.
- Então foi você que machucou Aravis?
- Fui eu.
- Mas por que?
- Filho! Estou contanto a sua história, não a dela. A cada um só conto a história que lhe pertence.
- Quem é você?
- Eu mesmo - respondeu a voz, com uma entonação tão profunda que a terra estremeceu. E de novo: - Eu mesmo - com um murmúrio tão suave que mal se podia perceber, e parecia, no entanto, que esse murmúrio agitava toda a folhagem a volta.
...
O Grande Rei encaminhou-se para ele. A juba e um perfume estranho e solene, que nele pairava, cercaram o menino. O Leão tocou a fronte de Shasta com a língua. Os olhos de ambos encontraram-se. Depois, instantaneamente, a brancura da névoa misturou-se com o brilho ardente do Leao, num redemoinho de glória, e os dois sumiram. Shasta se viu só, com o cavalo, na relva de uma colina, sob um céu azul. Todas as aves do mundo cantavam."

As Crônicas de Nárnia - C.S. Lewis.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Existem letras que são escritas para serem mostradas a todos, outras apenas escritas, e se alguém as descobre, pois bem.
E há aquelas também que são escritas apenas para não serem esquecidas, porque elas não serão compartilhadas com alguém. Elas servem para tanta coisa: alívio, recordação, ou apenas para extravazar uma sensação muito intensa. 

[Postado originalmente em Simples Anexos - 15 de maio de 2009]

sábado, 17 de abril de 2010

Bambeando no samba.

"Não, eu não sambo mais em vão
O meu samba tem cordão
O meu bloco tem sem ter e ainda assim
Sambo bem à dois por mim
Bambo e só, mas sambo, sim
Sambo por gostar de alguém, gostar de..."


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Camélias teinté de sang.


"Ela teimou e enfrentou / O mundo / Se rodopiando ao som / Dos bandolins...
Como fosse um lar / Seu corpo a valsa triste / Iluminava e a noite / Caminhava assim
E como um par / O vento e a madrugada / Iluminavam a fada / Do meu botequim...
Valsando como valsa / Uma criança / Que entra na roda / A noite tá no fim
Ela valsando / Só na madrugada / Se julgando amada / Ao som dos Bandolins..."

E como se fosse forte, a bailarina rodopiava toda noite ao som do choro triste do bandolim. Nao se sabia o que doia mais.. os golpes por ela realizados com o corpo ou as notas ecoando através do instrumento. Sabia-se apenas que era lindo se ver.. sua suavidade em meio a fúria e dor.
Porque querendo ou nao, a dor por vezes é suave, quando percebemos a beleza por trás dela, a beleza que se intensifica quando se encontra olhos sofridos, alma despedacada. Sente-se a tendencia de querer reconstituir o que havia antes da destruicao, nao sabendo que isso acabaria com o encanto..

***
Como a Dama das Camélias, a pobre Marguerite Gautier e seu amante loucamente apaixonado Armand Duval. Se o Dumas Filho nao tivesse sofrido, nao teria tido a inspiracao pra tal obra. Obra, diga-se de passagem, magnífica.
E por que amei? Porque é triste. Porque alguém morreu por amor, morreu por nao poder viver sem quem amava.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tentando trocar de canal.


"Eu que não fumo, queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais
Nesse último mês
Eu que não bebo, pedi um conhaque
Pra enfrentar o inverno
Que entra pela porta
Que você deixou aberta ao sair...
"
  
O vento entra por onde voce saiu. E eu tenho que me reconstruir. Nao está certo assim.
Tento continuar, mas meus ossos doem. Estao gelados. De alguma forma ja nao sinto o sangue correndo em minhas veias e tudo está anormalmente frio. 
Voce mentiu quando disse que me amava, ou eu que nao entendi teu amor? Tudo esta escuro e eu já nao sinto. Estou anestesiado.

Minha cabeca pesa e os olhos já nao conseguem se abrir. Depois de chorar tudo que podia, estou aqui deitado no chao, esperando que o frio passe. Mas ele insiste em aumentar. E minha cabeca pesa mais e mais. E tudo tem ficado mais longe. Voce já nao é mais o sonho que eu imaginei, mas mesmo assim, agora voce parece muito mais um sonho do que em qualquer outro momento que tivemos juntos. A menina que viveria para sempre comigo. Por que nao está comigo agora, por que me deixou aqui, me sentindo tao sozinho?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Valsando no velho e sentindo o novo.

Já era tarde para que ela quisesse ir embora. Já não chegaria a tempo de realmente descansar. Não iria esquecer. O dia fora agitado. Os dois tiveram muito o que fazer, cada um no seu ritmo, cada um em suas prioridades. Estava tarde e ambos cansados. Ficou então acertado que ela dormiria ali.

Nunca dormiam juntos. E dormiam juntos todas as noites. Era o acordo deles. Estava certo assim. Aceitavam um ao outro como algo novo toda noite. O novo cheiro, o novo companheiro. Uma nova textura de pele, uma respiração calma, ou mais agitada. Tudo era novo, toda noite.

Ela tomou seu banho e aprontou-se para dormir. Escolheu o canto da cama. Nunca dormira ali, e dormia ali toda noite. Ele lia algo interessante.

Terminou o que fazia e por sua vez tomou banho. Quando deitou ela já dormia. Suavemente se colocou ao lado dela, envolvendo-a em seus braços. Braços quentes, novos e velhos. Novidade sentida, calor conhecido. Passaram a primeira noite assim. Mais uma noite de tantas já passadas juntos. Mas como sempre, era a primeira. Ela ouvindo as batidas do coração dele e ele a respirar na grande confusão que era o cabelo dela pelo travesseiro.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Entre o complicar e organizar.

Mais um blog. Tenho dois fotolog's, orkut, twitter, um blog privado e agora esse.
Meu primeiro blog foi o Simples Anexos, onde eu depositei tudo que senti, que vi, li e quis compartilhar. Mas meu blog virou muito mais um diário do que um blog. Parei de colocar minhas idéias, trechos de livros, letras de músicas. Entao resolvi criar um lugar para depositar esse meu alter ego. Não vou colocar aqui coisas pessoais. Vou colocar os textos úteis que já postei no Simples Anexos, colocar meus personagens que há muito estão esquecidos, enterrados na minha memória. Tudo de [pelo menos um pouco] inteligente que eu encontrar pela vida.

Vamos lá, tentemos ser criativos.
As letras me esperam. Meus pensamentos estão ficando acumulados. Estão juntando poeira, acumulados em gavetas perdidas, cadernos abandonados pelos cantos da minha mente. Vamos separá-los, tirar toda a sujeira, colocar em ordem.
Naã em ordem demais também, porque me perco em lugares super organizados.

Minha mente sempre foi complexa. Vamos para a complexidade da literatura.

Sejam todos bem-vindos!