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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Desabafo de uma alma desesperada.

Hoje a vontade é chorar e chorar. Chorar o dia todo, para ver se toda a tristeza, toda a decepção que se instalou ali dentro vai embora, escorre pela pia do banheiro onde ela está debruçada. Não consegue entender os problemas frequentes, os poucos dias de tranquilidade, os problemas que vão e voltam. Parecia que toda vez que resolviam um problema na vida deles, outros três apareciam no lugar, e ela estava cansada, sem forças e sem fé para continuar de pé. 

Por mais que ela busque e tente acreditar que as coisas melhorarão, hoje ela não consegue mais ter fé e esperança. Talvez amanhã ela acredite nas coisas boas de novo. Hoje ela só vê cinza e frio no mundo, porque é isso que tem dentro dela.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Para não me afogar.

Nem açúcar e nem afeto hoje por aqui. Um café amargo e uma tarde fria e escura, mesmo com o sol brilhando lá fora. Dúvidas, raiva e tristeza. Decepção com pessoas demais. Dificuldade em entender as pessoas que não sabem lidar com problemas de forma adulta, e que continuam choramingando e de mimimi por aí, como se ainda fossem adolescentes. Ou sou velha demais para a idade que tenho ou as pessoas são imaturas demais para a idade que tem. 

Posso não ser a melhor ou mais madura pessoa do mundo, mas já vi tanta coisa na vida, já vivi tanta coisa que a gente aprende a dar valor para o que interessa, a relevar quando outras pessoas tem opinião contrária, e mais importante, hoje eu tenho opinião e sei defendê-la. Não preciso agradar o mundo todo para ser feliz. Não consigo é entender que não sabe ouvir um "não", não sabe argumentar e por isso passa a agir como criança, que vai chorar na barra da saia da mãe. Falta caráter e atitudes coerentes às pessoas e isso já me encheu. 

Vou me fechar no meu casulo e viver a minha vida.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Marguerite.

"Havia nela uma certa candura. Via-se que ainda era virgem de libertinagem. Seu passo firme, a silhueta esguia, as narinas róseas e abertas, os olhos enormes e levemente circundados de azul denotavam uma dessas naturezas ardentes que expandem ao seu redor um perfume de voluptuosidade, como aqueles frascos do Oriente que, por mais bem fechados que estejam, deixam escapar o aroma do licor que contém.

Enfim, fosse natureza, fosse consequência do seu estado doentio, de vez em quando passavam relâmpagos de desejo pelos olhos daquela mulher e eles revelavam que sua entrega poderia ser como uma revelação do céu para aquele que Marguerite amasse. Mas aqueles que a haviam amado não contavam, e os que ela havia amado contavam menos ainda.

Em resumo, reconhecia-se naquela moça a virgem que um nada tornara cortesã e a cortesã que um nada transformava na virgem mais amorosa e mais pura. Havia ainda em Marguerite orgulho e independência, dois sentimentos que, feridos, são capazes de fazer o que faz o pudor."

A Dama das Camélias - Alexandre Dumas Filho.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A gente cresceu.


A alma chegava a doer quando ouvia esta música. Era como se a vida lhe jogasse na cara tudo o que ficou pelo caminho ao crescer. Lembrava das tardes e manhãs preguiçosas, quando era nova, as preocupações poucas e os amigos muitos. Podia não ter a Praia do Pinhal para lhe fazer lembrar de tudo o que passou em sua vida, mas tinha tantas memórias, fotos e saudade dentro de si.

Via quando seus antigos amigos saiam uns com os outros, e ela se culpava por tê-los perdido, ter afastado-os de sua vida. Quando percebeu que a gente cresceu, sua alma desejou voltar a tê-los consigo, por mais difícil que isso parecesse de ser conseguido. 

Enquanto Pinhal toca ao fundo, ela volta à memória, lembrando de risos, amizades e histórias que viveu com tanta gente, que sim, seu coração se aperta de saudade e nostalgia, mas ao mesmo tempo ela não mudaria o estado de felicidade em que vive hoje, com alguém que durante um tempo esteve ali, perto na sua maneira .

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cartas de um diabo a seu aprendiz.

"Querido Vermebile,
Fiquei muito contente com o que você me disse sobre o relacionamento desse homem com a mãe. Mas você deve persistir. O Inimigo trabalha de dentro para fora, transformando gradualmente as ações do paciente para que correspondam ao novo padrão, e talvez até mesmo a conduta dele para com a velha senhora mude a qualquer momento. Seria bom você intervir primeiro. Mantenha sempre contato com o nosso colega Gomalósio, que é responsável pela mãe, e fortaleçam os dois naquela casa o bom e estável hábito da irritação mútua, das alfinetadas diárias. Os métodos que descreverei a seguir são de grande valia.

1. Faça-o prestar atenção apenas na sua vida interior. Ele pensa que sua conversão é algo que se deu dentro dele e que sua atenção está, portanto, voltada nesse momento para os estados do seu próprio espírito - ou pelo menos para a versão mais purificada deles, que é tudo o que você deve permitir que ele veja. Encoraje esse sentimento de introversão. Mantenha-o distante dos deveres mais elementares voltando sua atenção para os deveres espirituais mais avançados. Faça o possível para piorar essa útil característica humana, o horror e a negligência em relação às coisas óbvias. Você deve mantê-lo num estado tal que ele posso perscrutar a si mesmo durante uma hora sem descobrir nenhum desses fatos sobre ele mesmo, fatos que são perfeitamente visíveis para quem quer que viva com ele na mesma casa ou trabalhe com ele no mesmo escritório.

2. Certamente , é impossível impedir que ele reze pela mãe, mas temos meios de fazer com que as preces não tenham efeito. Certifique-se de que sejam bem "espirituais", que ele sempre se preocupe com o estado da alma da mãe, e nunca com o seu reumatismo. Disso advêm duas vantagens. Em primeiro lugar, ele prestará mais atenção naquilo que ele julga serem os pecados da mãe - se você guiá-lo um pouco, poderá induzi-lo a considerar qualquer um dos atos que ele julga inconvenientes ou irritantes como pecados. Assim, você poderá cutucar um pouco as feridas do dia mesmo enquanto ele estiver de joelhos. Toda essa operação não é nem um pouco difícil, e você achará tudo bem divertido. Em segundo lugar, já que as ideias dele sobre a alma da mãe são muito rudimentares e em sua maioria errôneas, ele, em algum grau, irá rezar por uma pessoa imaginária dia após dia cada vez menos parecida com a mãe verdadeira - a senhora de língua ferina que irrita o filhos à mesa do café da manhã. Com o tempo, você conseguirá aprofundar a distância entre eles de tal forma que nenhum pensamento ou sentimento advindo das preces pela mãe imaginária jamais alcançará ou servirá de ajuda à mãe verdadeira. Já tive tamanho controle sobre alguns de meus pacientes, que conseguia desviar sua atenção, num segundo, da prece fervorosa pela "alma" de uma esposa ou de um filho para o ato de insultar ou bater na esposa ou no filho sem nenhum remorso."

C. S. Lewis