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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Clara.

As noites de lua cheia e céu limpo eram realmente intensas para ela. Eram ondas de lembranças e sonhos que vinham a sua mente, como se a lua irradiasse muitos sonhos em seu peito. 

Da janela de seu quarto podia banhar-se plenamente da lua nestes dias. Gostava de deitar, mesmo sem sono, assim quieta com as cortinas abertas e sentir a lua tocando o seu corpo. Era como se as suas energias fossem recarregadas, os problemas esquecidos, e os sonhos avivados.

Mas a lua cheia, que durante muito tempo foi a preferida dela perdeu seu posto para a lua crescente. A lua crescente significava para ela que sempre havia mais por vir. Sempre haveria mais entre eles. O começo do namoro foi marcado por uma semana de lua crescente e céu muito limpo e lindo, e agora a lembrava dele, e de tudo o que  ainda teriam pela frente. 

Porque eles seriam para sempre. Por toda a vida, e toda a eternidade. E sempre haveria mais amor, carinho e compreensão. Sempre haveria o abraço de um para acalmar e deliciar o outro.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Noite tormenta.

No meio da angústia eu precisei encontrar você, sentir você.

A palpitação no peito, a dor que se tem feito conhecida nos últimos dias ao respirar voltou, e com ela, o aumento da vontade de abraçar-te.

Tenho dormido mal, ou nem tenho de fato fechado os olhos e desligado a mente. Sinto-me cansada como se nas últimas semanas eu tivesse dormido apenas uma noite de cada. As dores no corpo indicam que não tenho descansado, mesmo quando fico horas sem ter o que fazer.

A solidão que já foi amiga e companheira, mantedora da minha sanidade, agora me faz mal. A tua ausência me afeta demais, e as horas, os dias que se estendem sem ouvir tua voz ou sentir teu cheiro me fazem querer gritar por teu socorro, te ligar no meio da madrugada, quando acordada num susto de pesadelo qualquer, eu preciso de companhia, embora não uma qualquer. Quis tanto te ligar, que me apeguei na lembrança mais palpável de você que tenho todas as noites, e me concentrei em encontrar o sono perdido.

Meu sono é medroso como eu. Ficou com medo de descansar de volta e receber visitas indesejadas, então me abandonou. Com isso, me restou se esconder debaixo das cobertas e esperar o dia clarear, para me sentir segura de novo. Ou, novamente jogada em meio a outros medos..

terça-feira, 7 de setembro de 2010

In solitudine.

Odeio quando me perco a tal ponto que nem nas palavras eu me encontro.
Odeio não saber como agir, como sorrir e fingir estar tudo bem.

Quando não consigo fingir, me torno mais distante de tudo, porque me culpo. Não quero em momento algum preocupar, fazer sofrer. Mas meus silêncios inconstantes e minhas muitas mudanças de humor e fisionomia sempre preocupam.

Meus sorrisos são instáveis. Quando estão aqui são verdadeiros. Quando somem, custo a achá-los de novo.

Penso demais. Penso em muita coisa e durante muito tempo. Isso nos faz parecidíssimos. E com isso pensamos demais sobre tudo que acontece. Conosco e ao redor.

Penso demais em quantas vezes eu erro por, num momento apenas, não ter pensado. Não ter medido atos e palavras. Não ter sorrido sinceramente a ti quando não tinha nada errado, só estava longe.

Não gosto de me sentir longe, distante dos outros.
Já me sinto sozinha o suficiente estando perto das pessoas, quem dirá estando longe.

Promete não me deixar sozinha?

Fica aqui essa noite...