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quarta-feira, 16 de março de 2011

Sem máscaras.

Não sabia como explicar o porquê de ser tão diferente, de ser tão simples. Não se encaixava em padrões de onde vivia, nem dos padrões que muitas outras aderiam, às vezes até por osmose, sem perceber.

Tinha sempre quem lhe olhava com olhos de suspeita, por ser tão simples, limpa e aparentemente sem graça. Era tida por menina demais, com seus molentons e calças jeans, acompanhados de seu All Star. Mas ela se via diferente. Não era necessário para si esconder-se atrás de máscaras e mentiras. Não precisava de coisas demais para esconder a falta de coisas e sentimentos que havia do lado de dentro.

Não que todas as outras, diferentes dela assim o fossem vazias e fúteis, mas era algo muito comum.

Era fácil e leve ser assim, embora às vezes se cansasse dos olhares de repreensão que recebia. Nestes dias, se trancava dentro de si, que era um lugar seguro, livre de olhares e comentários. Trancava-se em seu mundo, e lembrava das palavras que ouvira há alguns dias. Elas lhe davam força e transmitiam verdade.
Acreditava em sua beleza limpa e simples, e seguiria assim..

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ecoando o silêncio.

No rosto o mesmo sorriso de sempre. Nos passos pelo corredor sinuoso, distribuía sorrisos de bom dia, por mais que o seu não estivesse assim tão bom. 

Se esforçava diariamente para que - se pelo menos não fosse desejada - ao menos não fosse tão inconveniente assim.

Seguia sua rotina, cumpria suas funções, tentava fazer tudo da maneira certa. E mesmo assim só via as coisas sendo mais difíceis para si do que pros outros.

Cansou.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

In solitudine.

Odeio quando me perco a tal ponto que nem nas palavras eu me encontro.
Odeio não saber como agir, como sorrir e fingir estar tudo bem.

Quando não consigo fingir, me torno mais distante de tudo, porque me culpo. Não quero em momento algum preocupar, fazer sofrer. Mas meus silêncios inconstantes e minhas muitas mudanças de humor e fisionomia sempre preocupam.

Meus sorrisos são instáveis. Quando estão aqui são verdadeiros. Quando somem, custo a achá-los de novo.

Penso demais. Penso em muita coisa e durante muito tempo. Isso nos faz parecidíssimos. E com isso pensamos demais sobre tudo que acontece. Conosco e ao redor.

Penso demais em quantas vezes eu erro por, num momento apenas, não ter pensado. Não ter medido atos e palavras. Não ter sorrido sinceramente a ti quando não tinha nada errado, só estava longe.

Não gosto de me sentir longe, distante dos outros.
Já me sinto sozinha o suficiente estando perto das pessoas, quem dirá estando longe.

Promete não me deixar sozinha?

Fica aqui essa noite...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Monocromático? Agora verdadeiro.

O sorriso havia sido pintado no rosto. Estava ali todos os dias.
A sensação de família feliz, pai, mãe e irmãos. Sorrisos pintados.

Estava desbotando. O quadro perfeito não estava guardado num museu, com proteção da luz, umidade, mofo. As lágrimas molhavam o quadro. A cor estava escorrendo pela tela, manchando a moldura.

Manchas não só de tinta. O mofo também manchava.
Mas não tinha como abrir a janela pra que entrasse sol, entrasse calor.

O sorriso pintado se desfez. Mas por trás dele não apareceu um rosto triste. Depois que ele se desfez, pode-se olhar para aquele rosto e ver um sorriso verdadeiro. Havia um motivo muito maior para sorrir. Havia a sua família agora. Começando, é verdade. Mas esta seria sua, e seria feliz.