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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

As meninas - Lygia Fagundes Telles

No começo deste ano, decidi iniciar um grupo de leituras com algumas amigas e conhecidas. Juntamos as meninas da igreja que frequento, e neste grupo de leituras leremos apenas autoras. A ideia é ler boa literatura, mas escrita apenas por mulheres. Este é um exercício proposto por grupos como o Leia mulheres, que pretende chamar a atenção para o fato de poucos dos livros realmente famosos foram escritos por mulheres.

Nosso primeiro livro lido foi o As meninas, da Lygia Fagundes Telles, autora brasileira, publicado em 1973. Abaixo, colocarei alguns dos trechos que mais me marcaram durante a leitura. Costumava fazer muito isso aqui no blog, mas acabei perdendo o hábito. O post onde falo minhas impressões gerais do livro deve sair por estes dias. (Ou não. Aguardem.)

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"Quero vê-la curada, casada com o tal milionário embora saiba que quando ficar divina-maravilhosa não vai me perdoar. Amparei-a nos pilequinhos, segurei sua mão nos abortos, emprestei milhares de coisas, a metade nem voltou. E o monte de oriehnid que vou emprestar (dar) para o cerzido na zona sul. Difícil me perdoar por isso."

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"'O programa da revolução está inteiro estruturado, resta ligar o pequeno motor que somos nós com o motor principal.' Levantou-se com cara de comício e, andando de um lado para outro, discursou sobre a dificuldade do operariado em se organizar, a maior parte habituada à servidão, à miséria, herança transmitida por gerações de conformismo. 'O medo, Lena. Medo de assumir, um cagaço de fazer chorar. Temos um bom grupo pra o que der e vier, o problema é com os mais velhos, os intelectuais. Salva-se meia dúzia. Assinam os manifestozinhos, fazem suas reuniões secretas, o sorriso secreto de Gioconda, o copinho na mão. E daí?"

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"Antigamente a santidade era vista como o máximo da penitência, caridade, aquilo que você sabe. Mudou tudo. Hoje um cristão não pode alcançar a salvação da alma sem servir objetivamente à sociedade. Não sei explicar, mas todo aquele que luta com plena consciência para ajudar alguém em meio da ignorância e da miséria, todo aquele que através dos seus instrumentos de trabalho, do seu ofício der a mão ao vizinho, é santo.  Os caminhos podem ser tortos, não interessa. É santo."

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" - O Bezerro de Ouro está instalado na praça e a senhora me fala em espiritualidade. Os adoradores não são espirituais porque são adoradores, entende. O povo não é espiritual porque o povo quer fazer parte da adoração e não pode nem chegar perto, está desesperado, aquele brilho, aquele exemplo de conforto, gozo. Esses desastres, esses crimes, tudo isso é desespero, o povo está sem esperança e nem sabe. Então fica subindo nos postes, dando tiro à toa, bebendo querosene e gasolina de aflição. Medo. Eu estava assim desorientada. Agora sei o que quero fazer."

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"Se a Nova Esquerda não se unisse aos outros grupos acabariam todos tão multiplicados e enfraquecidos que quando se tentasse uma linguagem comum, ninguém mais se entenderia."

sábado, 30 de janeiro de 2016

A justiça de Deus.

"Sendo assim, o juiz justo é principalmente aquele que corrige uma injustiça em uma causa civil. Ele também julgaria com justiça, sem dúvida, um caso criminal, mas dificilmente era nisso que os salmistas estavam pensando. Os cristãos clamam a Deus por misericórdia, em de vez de justiça; os judeus daquela época clamavam a Deus por justiça para corrigir a injustiça. O Juiz Divino é o defensor, o resgatador. Estudiosos me dizem que, no livro de Juízes, a palavra que assim traduzimos poderia quase ser traduzida como "defensores", pois embora esses "juízes" às vezes desempenhassem funções que deveríamos classificar como jurídicas, muitos estavam bem mais interessados em resgatar com a força de seus braços, os israelitas da opressão dos filisteus e de outros povos. [...]

Acho que há razões muito boas para considerar a imagem cristã do juízo de Deus como muito mais profunda e muito mais segura para nossas almas do que a judaica. Mas isso não significa que a concepção judaica  deva ser simplesmente descartada. Eu, pelo menos, acredito que ainda posso alimentar-me bem dela. 

Ela complementa a imagem cristã de uma forma muito importante, pois o que nos amedronta na imagem cristã é a pureza infinita do padrão a partir do qual nossas ações serão julgadas. Sabemos, porém, que nenhum de nós jamais se aproximará desse padrão. Estamos todos no mesmo barco. Devemos todos concentrar as nossas esperanças na misericórdia de Deus e na obra de Cristo, não em nossa bondade. A imagem judaica de uma ação civil, por sua vez, nos lembra claramente que talvez estejamos em falta não somente em relação aos padrões divinos (o que é óbvio), mas também a um padrão absolutamente humano que todas as pessoas lógicas reconhecem e que nós, em geral, desejamos impor sobre os outros."

C. S. Lewis - Lendo os Salmos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Femuli - Feira Municipal do livro de São José dos Pinhais

A cidade de São José dos Pinhais organizou uma feira do livro no principal calçadão da cidade. A feira começou dia 04/11 e vai até amanhã, dia 08. Entre os eventos disponíveis na feira, foi possível assistir palestras com diferentes profissionais que buscam a valorização da leitura e da história, voltadas principalmente ao público infanto-juvenil e juvenil, com a participação de diferentes escolas municipais e estaduais da região na feira.

Ontem passei por lá no horário do almoço com meu marido e fizemos a festa da compra de livros. Num dos estandes da feira, todos os livros disponíveis à venda estavam R$10,00. E eram só livros novos, sem estrago algum, e muitos ainda embalados no plástico.

Todos estes livros sairam R$60,00, novos, em ótimo estado.

A variedade de livros que trouxemos para casa foi da mais diversa. De cima para baixo, os livros são os seguintes: 1453: A Guerra Santa por Constantinopla e o confronto entre o Islã e o Ocidente, de Roger Crowley; A guerra de Clara, de Clara Kramer; Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas; Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, Clint Eastwood - Nada censurado, de Marc Eliot; e por fim O Pasquim - Antologia vol. 3, de um grupo de autores.

O livro 1453 conta sobre a queda de Constantinopla, que teve sua queda ante ao Império Otomano, pondo fim ao Império Bizantino, bem como fim à Idade Média, conforme vemos diversas linhas historiográficas defendendo.


O livro A guerra de Clara me interessou, pois amo estudar a Segunda Guerra Mundial. Este livro, segundo as sinopses que li, conta a história da polonesa Clara Kramer, judia, que teve ajuda de um homem anti-semita para se esconder dos nazistas com sua família por 18 meses, se livrando assim dos terrores de Auschwitz e possivelmente da morte. 


Os três mosqueteiros é um livro que praticamente não precisa de apresentações. Li pela primeira vez há uns 8 anos e me apaixonei pela história. Já amava o filme (o antigo, aquele de 1993) e o livro me conquistou também. Comprei porquê livros e clássicos nunca são demais.


Dom Quixote é outro livro que dispensa apresentações. Clássico da literatura espanhola e mundial. Confesso que nunca li, mas meu marido sempre teve vontade de ler, por isso entrou para a lista também.


A biografia do Clint Eastwood também foi escolha do meu marido, mas o cara é um ator muito bom, além de ter filmes super renomados como diretor. Deve ser uma história muito boa, que eu provavelmente lerei.


O livro sobre O Pasquim entrou na lista por sermos um casal de historiadora e comunicador social. O Pasquim foi um semanário nacional, que circulou entre 1969 e 1991. Foi um refúgio do jornalismo nacional e da crítica ao regime militar nacional. Fiquei triste porque achamos só o volume 3, mas já é alguma coisa. Espero encontrar os outros em breve.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sacudindo o cansaço.

Passou tempo demais com a mente ocupada, o que a deixou ausente de seus livros, que eram seus amigos e fonte de inspiração. O período que vinha se estendendo por sua vida a afastou da tranquilidade que ela preza, dos momentos de introspecção e leitura, com a xícara de chá ao lado e uma manta nos pés. A vida estava agitada ultimamente, mas ela decidiu que daria um jeito de recuperar seus momentos de leitura.

Cada livro seu passaria por uma vistoria. Limparia, sacudiria a poeira e os rearrumaria na estante. A partir disso reordenaria os novos títulos que leria, os clássicos que precisavam ser relidos e os queridos dela, que sempre foleava, lia trechos e sorria, mesmo que sem motivos aparentes. Depois de retomar seus livros, ela sabia que sua alma ficaria mais leve também. Era como se todo o stress, o cansaço e a correria do dia-a-dia ficassem esquecidas quando sentava e entrava em outro mundo. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Matilda lindinha.

"Desse dia em diante, todas as tardes, logo depois que a mãe saía para o bingo, Matilda ia até a biblioteca. Era uma caminhada de apenas dez minutos, e assim lhe sobravam duas horas gloriosas para ficar sentada em silêncio, sozinha, num canto tranquilo, devorando um livro atrás do outro. Depois de ler todos os livros infantis que havia na biblioteca, ela passou a percorrer as estantes, em busca de alguma outra coisa.
A sra. Fepls, que a observara fascinada durante as últimas semanas, levantou-se e foi falar com ela.
 - Posso ajudá-la, Matilda?
 - Estou pensando no que posso ler agora - Matilda disse. - Terminei todos os livros infantis.
 - Quer dizer que já viu todas as figuras?
 - Vi, mas também li os livros.
A sra. Felps olhou para Matilda lá de cima e Matilda olhou para ela lá de baixo.
 - Achei alguns muito ruins - Matilda continuou -, mas outros são ótimos. O que eu mais gostei foi O Jardim Secreto. É cheio de mistério. O mistério do quarto atrás da porta fechada e o mistério do jardim atrás do muro alto...
A sra. Felps estava pasma.
 - Quantos anos você tem, Matilda?
 - Quatro anos e três meses - respondeu a menina.
[...]
 - Tente este - disse ela, finalmente. - É muito famoso e muito bom. Se for longo demais para você, é só falar comigo, que eu procuro algum outro mais curto e um pouco mais fácil. 
 - Grandes esperanças - Matilda leu -, de Charles Dickens. Eu gostaria muito de tentar ler este.
[...]
Nas tardes que se seguiram, a sra Felps não conseguia tirar os olhos daquela garotinha, que ficava sentada horas e horas na poltrona do fundo da sala, com o livro aberto no colo. O livro era muito pesado para Matilda segurá-lo levantado. Então ela o apoiava no colo e se inclinava para a frente para conseguir ler. Era estranho ver aquela pessoinha de cabelos escuros, cujos pés nem alcançavam o chão, sentada ali, totalmente absorvida pelas maravilhosas aventuras...
[...]
A partir de então, Matilda passou a ir à biblioteca apenas uma vez por semana, para devolver os livros que terminara de ler e retirar outros. Seu pequeno quarto de dormir tornou-se sua sala de leitura. Quase todas as tardes ela se sentava para ler, frequentemente com uma caneca de chocolate quente ao seu lado. Era gostoso levar uma bebida quente para o quarto e deixá-la a seu lado enquanto lia quietinha, durante a  tarde, na casa vazia. Os livros a transportavam para mundos novos e a apresentavam a pessoas diferentes, que viviam vidas incríveis. Matilda navegou em veleiros antigos com Joseph Conrad. Foi para a África com Ernest Hemingway e para a Índia com Rudyard Kipling. Viajou pelo mundo todo, sentada em seu quartinho, numa cidadezinha inglesa."

Matilda - Roald Dahl