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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Riso sob a chuva.

Através da janela embaçada pela chuva, ela via grossas gotas escorrendo do lado de fora. O céu cinza chumbo parecia chorar copiosamente, tal a intensidade daquela chuva e da dor que ela transmitia. Ela porém, apesar da dor que aquele dia cinza estava transmitindo, não conseguia despregar os olhos do cenário que sua janela lhe dava. A xícara de chá na mão, o livro solto ao lado da cama, a cabeça cheia de pensamentos e aflita. Era como se alguma coisa importante tivesse sido esquecida nos últimos dias, ou mesmo tivesse passado despercebida. 

Sentada ali, contemplando o dia choroso que se escorria lá fora, ela de repente notou algo que muito lhe atraiu. Entre todos os casacos e guarda-chuvas pretos e cinzas que quase se confundiam com a cor do dia, passou debaixo da janela dela um casal muito interessante. De mãos dadas, cada um debaixo do seu próprio guarda-chuva, ali estavam eles quebrando a monotonia daquele dia monocromático. Ela com seu guarda-chuva vermelho vivo e ele com seu guarda-chuva azul safira, andando e rindo, pois suas gargalhadas venciam a força do vento e da chuva, e entravam pela janela daquela moça com o chá na mão e o livro do lado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tempo cinza.

A imagem bucólica que presenciei pela janela me levou ao passado, me transportou para tempos de solidão e frieza de coração.

O céu, de um lado da janela jazia branco desaguando chuva, e de outro, num frio cinzento, chorava a solidão da sua existência.

Lembrei-me de tardes sentada à vista de minha janela, mais vendo do que sentindo o tempo passar, tendo milhares de pensamentos em minha cabeça e ao mesmo tempo um silêncio gélido ecoava em minha alma.

Um tempo em que as dúvidas e confusões eram maiores em mim que a certeza de quem eu era.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Na falta de palavras, falo mais ainda.

A cama quando se deitou estava extremamente vazia. Sentiu frio e não havia meio que pudesse aquecê-la naquele momento, porque depois de tantas horas seguidas imersas no calor do colo dele, estar sozinha só faria sentir frio, sentir medo.

Ouviu do lado de fora a chuva. Sentiu seu corpo se arrepiar de frio e teve de aceitar que além da ausência que ela teria de superar nesta noite, teria também que enfrentar um de seus medos. Aguentaria a chuva, os raios e trovões. Fingiria para si mais uma vez.

Apesar do som da chuva e do barulho incômodo dos raios, seus quarto, sua noite estavam silencioso demais. Não havia a respiração lenta e profunda que a embalara na noite anterior, nem tampouco as batidas daquele coração que tanto lhe importava. Ele possuía o melhor som do mundo, e era responsável pela vida do ser que lhe inspirava todo o amor que havia dentro dela.

O cheiro da sua coberta pela primeira vez remetia seus pensamentos para o cheiro mais doce, suave, envolvente e entorpecente. O cheiro que anestesiava e causava arrepios. O cheiro que lhe inspirava razão para acordar, levantar, persistir. Tudo hoje tinha outras razões. Tudo hoje tinha outra cor.

Cores mudadas, cheiros importantes e embriagantes, calor aconchegante.
A vida em si era outra.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quem sou eu.

Tantas vezes sou fogo, avassaladora e egoísta. Sou gelo, cortante e assassino; refrigério em meio à seca e ao calor escaldante. Outras tantas sou fonte de vida e de calor.

Sou veneno destilado, fala aguda, pronta para agredir. Em outros momentos, me dou como consolo, como ombro para lágrimas, pranto e praguejamento. Sou doce, amável e sorridente. Pronta a fazer sorrir.

Me sinto amada e detestada todos os dias. Nuns mais que em outros. Me sinto perdida inúmeras vezes, como uma criança assustada que não sabe onde ir. Que não tem para onde ir, e noutras me sinto segura, dando segurança a outro ser.

Nele tudo se completa. Ou seria com ele tudo completo fica?
Posso estar perdida inclusive deitada em seus braços, mas mesmo assim sei quem sou e tudo aquilo que gosto, inclusive seu gosto. Posso sentir frio e medo dos trovões lá fora, mas sinto-me segura e aquecida por seu hálito.

É, nele tudo se completa.
O frio e calor, o doce e o salgado, o bem e o mal. O amor e a amizade, misturados com paixão.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dias como hoje.

Definitivamente odeio chuva.
Odeio molhar o pé e ter que ficar com eles neste estado o dia todo. Odeio pessoas que fecham totalmente as janelas do ônibus, fazendo com que eu respire um ar sujo, viciado, usado e descartado por todos ao meu redor.

Odeio goteiras de calha das lojas, que derramam em nós aquelas água suja sabe Deus do que. Odeio poças e calçadas com pedras soltas, que quando a gente pisa, levantam e espirram água lamacenta em nossas calças e tênis.

Odeio o mau-humor além do comum que se instala em mim em dias de chuva. Todo dia de chuva eu queria estar embaixo das cobertas, vendo um bom filme. Aliás, acho que em dias de chuva todo mundo devia ter o direito de ficar em casa com uma coberta gostosa, um bom filme e uma companhia prazeirosa.

Odeio ter que sair de casa com guarda-chuva e carregá-lo molhado o dia todo, pois precisamos dele, mesmo que ele não impeça com que molhemos nossos pés e barras de calça, nos deixando à mercê do frio o dia todo. Raios, trovões e céu preto em pleno dia me assustam, fazendo com que eu pareça uma criança.

Sinto falta da nossa cama e televisão em dias como hoje. Sinto falta de você como nunca.