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domingo, 18 de julho de 2010

Desse jeito.

No meio ao caos, encontrei teu sorriso iluminando meu caminho, dizendo que não estava a brigar comigo, e sim que só queria me ver mais leve. Tuas mãos tentaram tirar o peso dos meus ombros, tuas palavras foram bálsamo pro espírito cansado.

Vi-me cansada de tudo ao meu redor, perdida e confusa e você me piscou, com muito significado por trás de seus longos cílios que emolduram seus belos olhos azuis. Tive paz então.

Meus pés ficaram gelados e você os segurou com suas mãos sempre quentes, até que eles esquentassem também. Um arrepio de frio passou por meu corpo, e prontamente seu braço estava ao redor de minha cintura, dando-me calor.

Meu coração foi preparado ao longo dos anos para um amor maior que eu, e então você me sorria com olhos intensos, dizendo pra eu tomar a trilha que se abria à nossa frente, um caminho a ser seguido a dois; nós dois.

Você está sempre na hora certa, no lugar certo, com a atitude certa.
Você é o certo pra mim.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Como a lua nova.

A tabela de cores em cima do sofá é a mesma da semana passada, ou fizeram uma nova mistura de tons?

Minha parede pintada de roxo.
Minha vida numa harmonia estranha.
Meu sorriso fora do ângulo, meus pés angulares no chão.

Sempre gostei de linhas. Retas.
Passei a admirar as curvas, circulos. A suavidade que elas transpassam.
Mas elas podem ser fortes também.

Os contornos incertos e indecisos da lua, mutantes como o humor de uma mulher.
Obscuros e singelos. Misteriosos e difíceis.
Nítidos quando ela se permite refletir algo belo. Escondidos em um céu sombrio quando ela se fecha, quando se esconde atrás de outro corpo.

Meu corpo reflete outro além do meu.
Minha alma anda ao lado de outra, e não mais escondida.
Passei a sorrir mais vezes, e mais verdadeiramente.
Entendo um olhar aparentemente mudo, mas tão expressivo.

Ouço meu pulsar mais alto, mais vivo.
Lembro que ao lembrar de ti, me vejo mais clara.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Gelo e cheiro.

Precisei de teus braços no lugar de minhas cobertas hoje. O sol que brilhava do lado de fora da minha janela não foi capaz de aquecer meus pés e mãos tão gelados.
Precisei de teus afagos.

As horas escorreram lentamente e meus olhos piscavam tão pesados. Tive muito sono hoje, pois a noite passada não foi de descanso. Acordei agitada a noite toda, com lágrimas escorrendo por meu rosto e molhando meu travesseiro toda vez que sonhava que estávamos brigando.
Senti medo a noite toda.

A xícara de café que eu bebi apenas me manteve presa ao "acordada", mas meu cérebro não estava desperto. Estava sim totalmente entorpecido, esperando a injeção de ânimo que é o seu cheiro pra mim. Preciso do teu cheiro para sentir que estou acordada.
Só seu cheiro é capaz de aquecer meu coração.

domingo, 4 de julho de 2010

Pelo buraco da fechadura.

Não tenho visto coisas inspiradoras nesses dias tão estranhos. Minha cabeça trabalha, trabalha, mas nada sai dela. As coisas estão ficando presas. Tenho perdido um outro tanto.

Quero escrever, mas neste tempo sobra vontade, falta inspiração. Parece que acabou a luz. Alguém fechou a porta e levou a chave embora, deixando toda a minha inspiração trancada do lado de dentro.
Eu a ouço gritando por socorro, dizendo que está sufocando e que eu tenho perdido bons textos... mas a porta e as janelas estão trancadas.

Terei de esperar pelo amanhecer, até que o zelador chegue para abrir as salas de aula.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sabor de infância.

Tomates verdes com sal a lembravam de sua infância.
Se via sentada sobre a bancada da cozinha, com as perninhas curtas balançando no ar. Sua mãe preparava bife com batata frita, o prato predileto dela.
O cheiro de alho do tempero do bife voltava a seu mente agora, depois de tanto tempo.
O gosto do tomate com sal também.

A menina e o irmão amavam comer feijão recém cozido com arroz numa caneca, antes mesmo do arroz estar pronto.

Não entendia porque lembrava tanto da infância agora. Foi uma infância normal, sem grandes atrativo ou aventuras.Mas fora feliz.
Ela era uma menina feliz e apaixonada pelo pequeno irmão risonho dos olhos verdes. Mas em algum momento, e ela não sabia qual, o carinho pelo irmão se perdeu. Desaprendeu a ser legal e boa com o menino.

Nunca teve muitos amigos.

E após tantas brigas, choro, raiva e uma despedida sem tchau, sem abraço ou palavras, a menina via que sentia falta do irmão.
Ela se via de novo naquela bancada. Feliz e e carinhosa, e pensava em como recuperar o tempo perdido, e superar as mágoas acumuladas.

Queria dizer que o amava.