Páginas

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A mentira da inclusão por cotas.

Sou estudante de História na Universidade Federal do Paraná. Entrei no curso por cotas sociais e sempre soube que seria difícil estudar à tarde, pois eu precisava trabalhar, mas como não havia opção melhor, fui levando.

Neste momento estou prestes a me formar e por isso fui olhar a página da Pós graduação em História na UFPR. Desde algum tempo para cá sinto uma tristeza por saber que minha entrada no Mestrado será bem difícil - quase impossível, eu diria - porque nunca fui de algum grupo de pesquisas ou bolsista do CNPQ na graduação, e isto conta muito para entrar no Mestrado. Ter trabalhado durante o curso não conta. Você precisa ter estudado, mesmo que de maneira voluntária num destes grupos de pesquisa, para fazer nome. Não importa se suas contas chegariam no final do mês. Você não paga mensalidade. Pois não bastasse a dificuldade acadêmica de falta de currículo e de nome, a Pós Graduação na UFPR ainda reservava outra tristeza, outro motivo de revolta para mim: as aulas do mestrado variam de horários entre às 8 da manhã e às 18:30 da tarde. Ou seja, não trabalhe por mais dois anos. Mas novamente, nem todos ganharão bolsas da universidade para manterem seus estudos.

E neste momento eu me pergunto: e eu? E todos os outros cotistas, que benevolamente foram aceitos na Universidade Pública, que foram "incluídos", como nós vivemos? Há muita gente com pais abastados nas Universidades Públicas, e estes podem cursar toda a graduação sem trabalhar, emendar um mestrado ou talvez uma nova graduação, mas há aqueles que precisam trabalhar, há aqueles que já trabalhavam antes mesmo de serem "incluídos" na universidade pública e que continuaram vendo suas contas chegarem a cada fim de mês, e por isso precisam continuar em seus empregos. Estes não tem vez na UFPR, pelo menos não na História, pois eles não se dedicaram o suficiente na graduação para serem lembrados pelos professores quando tentarem entrar no Mestrado, isso SE tentarem, pois aulas durante todo o dia eliminam praticamente todas as possibilidades de emprego e de sustento.

Por isso, neste momento, questiono muito a política de cotas e de que maneira ela realmente é inclusiva. Eu consigo entrar na graduação, mas terei de me matar para manter no meu curso, não por falta de capacidade, mas por falta de tempo e de disposição, pois conciliar trabalho e faculdade não é algo fácil. E depois, nem mesmo serei permitido a sonhar com o mestrado numa Universidade como a UFPR, pois não se tem tempo nem nome o suficiente para tais aspirações. E como isso é inclusão!? Como isto é ajudar a quem não teria acesso a realmente estudar, ganhar uma boa posição no mercado de trabalho futuramente?

Posso dizer que ontem eu realmente me decepcionei com a Pós Graduação em História da UFPR. Para mim, através da política de seleção dos candidatos ao mestrado e doutorado, ela se mostra elitista e propagadora de uma política de puxa-saquismo e bajulação dentro do ambiente acadêmico, não necessariamente selecionando os melhores, mas sim os que tiveram mais oportunidades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário